O Girassol Maravilhoso

    O Girassol Maravilhoso, ao contrário do que alguns pensam, não se trata de um grupo musical de Serginho do Rock. Na verdade, é mais uma filosofia de vida.

    Ao longo dos anos, Serginho reuniu os mais variados amigos. No Brasília, o BCC (Brasília Country Club) ele participava de peladas, depois passava o dia tomando cerveja na famosa “galombada”, nome que os amigos deram à farra costumeira. Entre eles estava Cici que, voltando de um desses encontros no clube, acabou falecendo em um acidente de carro. Serginho sentiu muito a morte de Cici, fez uma música sobre as memórias que ficaram, e depois disso as saídas aos sábados passaram a ser chamadas de Cici Day.

    O Girassol começou quando Serginho e alguns amigos, ao invés de irem para algum bar, decidiram que era melhor “ir para natureza” – como eles mesmos dizem. Todo sábado era a mesma coisa: arrumavam as cervejas no isopor, tira gostos… não podiam esquecer o Silver – nome do som do Serginho –, cadeiras e mesas portáteis – que também tinham nome, era uma mania deles. O destino era incerto, qualquer lugar que achassem bonito e onde pudessem tomar a Bohêmia gelada, “mais saborosa longe da cidade”.

    Quando paravam nos lugares para passar o dia, era como se aquele fosse o território deles. Com isso, inspirados pela antiga história em quadrinhos “Sobrinhos do Capitão”, veio a ideia de fazer uma bandeira. Serginho listou todos os elementos que queria que estivessem presentes para que o amigo e artista Paulo Roberto Lisboa a fizesse.  Foi comprado o pano e o artista fez como foi pedido: um girassol, a natureza, violão, pássaros, borboletas, a cachoeira de Piacatuba (que depois passou a ser conhecida como Poeira D’água, nome dado por Lisboa e Serginho).

    A bandeira ficou pronta no dia 9 de julho, que logo se tornou o dia da bandeira e também da grande reunião do Girassol Maravilhoso. Era uma espécie de feriado para todos eles. Serginho e os amigos passavam o ano todo pensando e planejando a festa. Camisas eram vendidas para arrecadar dinheiro para o evento e serviam como ingresso da festa. Algumas vezes, o local escolhido foi a Poeira D’água, em Piacatuba, e em outras vezes, o lago da Represa da Usina Maurício, entre Piacatuba e Itamaraty de Minas. O que começou como uma reunião entre cinco amigos, acabou lotando ônibus e vários carros no auge do 9 de julho.

    Algumas coisas eram tradição: o discurso de Serginho, o hasteamento da bandeira, o pernil afiambrado de Dona Sinhazinha, muita comida, chopp, vinho e música. Todos que já participaram do “nove” falam com muita saudade e gratidão por terem vivido aqueles momentos. Como diz a música:

“Tudo aqui está tão lindo
Estamos indo cultivar a flor
Nós somos uma tribo unida
A curtir a vida
E espalhar o amor

Nosso grupo é generoso
Está plantado em nossa vida
O Girassol maravilhoso!”